Close

30 de outubro de 2018

Especial decisão do STF – Qual será o futuro das garantias?

Com o fiador, modelo de garantia mais tradicional do mercado, posto em cheque pela decisão do Supremo Tribunal Federal de tornar o bem de família do fiador impenhorável, hoje o mercado começa a se precaver em nome da segurança dos contratos de locação, seja com mais exigências para aceitar o fiador (leia a nossa matéria sobre o tema, aqui ou até mesmo levando em consideração a possibilidade de alugar sem nenhuma garantia, devido aos dispositivos legais que a Lei do Inquilinato poderia oferecer para beneficiar a boa-fé do locador, diminuindo o tempo em uma eventual ação de despejo (Leia aqui).

Em busca de contratos cada vez mais saudáveis, outras imobiliárias, no entanto, já começam a seguir por um caminho diferente e mais seguro, desatando aos poucos os laços com garantias menos efetivas e tradicionais, como o próprio fiador e a caução, e criando carteiras quase totalmente garantidas por seguro fiança e título de capitalização. (confira na nossa terceira parte do especial, aqui.

Dentro deste panorama, o mercado tenta desvendar um futuro que leva em conta a situação econômica atual do País, novos perfis de clientes, as recentes inovações tecnológicas e os esforços do próprio setor imobiliário de locação para tornar os negócios seguros e acessíveis para inquilinos e locadores. “Tendo em vista que sempre existirá o desejo por locação, algo que está ficando ainda mais forte principalmente nas novas gerações, o mercado precisará se voltar para garantias mais fortes e com produtos que atendam as duas pontas do negócio, locador e inquilino, com satisfação”, explica Sérgio Gamba Jr., diretor da Unioncorp Corretora de Seguros, especialista em garantias imobiliárias.

Mais simples e enxutos

Com a necessidade de encontrar produtos que atendam o mercado de forma efetiva, seguradoras já trabalham com estratégias para popularização do seguro fiança. “Este é ainda um mercado muito grande para expansão”, aponta Marcos Carvalho, da Pan Seguros. Segundo ele, o importante agora é mudar a visão do público sobre o seguro. “O produto ainda precisa se consolidar como a melhor opção para locador e locatário. Muitas vezes, por falta de conhecimento, o produto Fiança Locatícia ainda é visto como uma opção cara e burocrática, e o mercado tem como desafio desmistificar essa visão. No entanto, já é possível identificar algumas mudanças neste cenário, pois as seguradoras estão criando produtos mais enxutos e processos estruturais mais simples, que possibilitarão um crescimento significativo a médio prazo”, explica o diretor. Imobiliárias também enxergam esta oportunidade de crescimento, mas indicam que há a necessidade de mais competitividade dentro do setor, em busca do melhor preço para o consumidor. “A tendência é que seguro fiança e título de capitalização aos poucos comecem a substituir as que hoje são tradicionais, como fiador e caução. Com mais seguradoras trazendo produtos acessíveis, com certeza será possível oferecer um bom preço para os clientes. O maior interesse dos proprietários é na segurança do recebimento dos aluguéis, o que uma cobertura básica atende”, afirma Hilton Pecorari Batista, sócio diretor da PB Imóveis.  Ricardo Matias, sócio da Rede Gestão, também aposta no aparecimento de mais seguradoras e produtos como meio para difusão acelerada do seguro. “É a garantia mais segura, mas nós observamos que é necessário que surjam outras opções. Este não é um mercado muito sinistrado, com alta inadimplência, então é possível desenvolver produtos com custos competitivos. Atualmente, a fatura está muito cara”, aponta.

Para superar a barreira do custo, diversas imobiliárias estão apostando, inclusive, na divisão dos custos do seguro fiança entre proprietários e inquilinos. Em alguns casos, para acelerar as locações e garantir que este seja o modelo de garantia adotado, o proprietário absorve totalmente o valor do prêmio. “São incomparáveis os benefícios para o locador. Por isso, muitos que antes eram arredios ao uso do seguro fiança, hoje fazem questão dessa garantia, e aceitam arcar com o pagamento de parte ou do total do seguro. Alinhados a um contrato bem feito e vistoria de qualidade na entrada do imóvel, temos um processo de locação ágil e totalmente seguro para ambas as partes. Mas é necessário ainda trabalhar com a conscientização das partes do negócio”, ressalta Pecorari, que aponta o título de capitalização como outra opção de grande valor. “Com ele não estamos presos à conta de três aluguéis da caução, valor que é insuficiente para garantir um contrato, e ainda trazem assistência jurídica em caso de inadimplência, o que é fundamental para o locador, uma vez que uma ação de despejo já se inicia com custos que ultrapassam dos R$ 7 mil”, afirma.

Além dos custos, apostar em facilidade para aquisição também é uma estratégia das seguradoras para tornar o seguro fiança locatícia uma das principais opções de futuro para as garantias. “Acreditamos que temos uma demanda grande no mercado, inclusive para produtos comercializados de forma digital e o fiança também se encaixa neste cenário, para isso há necessidade de um processo extremamente ágil e prático para que o locatário não veja dificuldades em adquirir o produto”, ressalta o executivo da Pan Seguros.

Gostou? Curta e compartilhe esse post!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Social media & sharing icons powered by UltimatelySocial

Curtiu o post? Compartilhe!

  • RSS
  • Facebook
  • Google+
    https://www.unioncorp.com.br/especial-decisao-do-stf-qual-sera-o-futuro-das-garantias">
  • Twitter
  • LinkedIn